O início da gravura no Brasil
O inicio da gravura no Brasil foi através da técnica de tipografia, em madeira e metal, devido a necessidade de publicar um livro.
Até a vinda da família real para o Brasil a imprensa era proibida, o que não estimulava seu desenvolvimento, além de não existir uma cultura artística no país.
O livro impresso mais antigo que temos conhecimento é o “Exame de Bombeiros” de autoria de José Fernandes Pinto Alpoym. Esse livro continha 20 gravuras feitas através da técnica de buril por José Francisco Chaves. As chapas foram assinadas e uma é datada de 1749.
O padre José Joaquim Viegas de Menezes, nascido em 1778, em Ouro Preto foi precursor da gravura no Brasil. Viegas foi para Lisboa onde estudou e desenvolveu as diversas técnicas da gravura. Com Frei José Mariano da Conceição Veloso, Viegas traduziu o livro de técnica de Abraham Bosse, “Traicté dês manières de graver” em 1801 e ajudou a aprimorar e disseminar as técnicas de gravação em sua época.
Com a vinda da família real para o Brasil em 13 de maio de 1808 a tipografia e gravura dão os primeiros passos.
Com a fundação da Imprensa Régia a gravura começa seu percurso profissional, liderado pelos gravadores Mariano da Conceição Veloso, Romão Eloy Casado de Almeida e Paulo dos Santos Pereira Souto. A gravura vira a mídia de reprodução mais eficiente naquele momento. Os primeiros trabalhos em gravura editados pela Régia foram desenhos da flora do Rio de Janeiro em 1809.
Em 1816 chega a Missão Francesa nela vem um gravador contratado e Jean Baptiste Debret, que fica no Brasil até 1831. Debret retorna a França e publica “Voyage Pittoresque Et Historique au Brésil”, uma edição de Firmin Didot Fréres, com 3 volumes e lindas litografias.
Debret fez diversas aquarelas e em seu retorno para França reproduziu as aquarelas em Litografia.
Em 1853 nasce em Porto Alegre, Pedro Weingartner, um dos primeiros a fazer gravura em metal, pois até esse período a litografia era a técnica de gravação mais utilizada para reproduções de livros ou imagens.
Em 1873, Alfredo Pinheiro fundou a primeira oficina de gravura em madeira (xilogravura).
Um grande pioneiro na gravura foi Henrique Alvim Corrêa que estudou muito tempo na Europa e ilustrou o livro Guerra dos Mundos de H.C.Wells.
Lasar Segall, Lituano, com 16 anos veio ao Brasil. Sua linguagem visual ia do expressionismo, figurativo ao abstrato, dedicou à vida inteira a arte da gravura, criou uma forma genuína de gravar.
Até 1900 a gravura era um mero instrumento de reprodução, a partir do século XX ela começa a criar sua própria forma e transformar a concepção de arte que existia até aquele momento.
Foi uma época na qual os artistas viviam isolados, não tinham acesso ao desenvolvimento da técnica na Europa, devido a Primeira Guerra Mundial e depois a Segunda Guerra Mundial.
Os artista fizeram pouco intercâmbio e isso fez com que artistas brasileiros não fossem contaminados diretamente pela linguagem visual que figurava nos grandes centros mundiais das artes.
A partir de 1900 surge 3 personagens brasileiros. Oswaldo de Andrade, Oswaldo Goeldi e Lívio Abramo.
Carlos Oswald (1882-1969) foi professor do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, ele escrevia artigos e tentava formar uma corrente de pensamento em volta da gravura.
No Liceu de Artes foi fundado um ateliê de Litografia próximo da década de 20, lá Carlos Oswald desenvolvia e aprimorava a técnica de gravar e transmitia o conhecimento e sua paixão para outros artistas.
Oswaldo Goeldi (1895-1861) já trabalhava mais a emoção, ele acreditava que o artista tinha que aprender por um caminho solitário, ele tinha que ter sua própria busca.
Seu trabalho melancólico talvez tenha mostrado uma pouco da sua vida real, solitário, com sombras e luz, chuvas, o contraste do preto com o vermelho, o vagabundo vadio, os peixes mortos e seus urubus.
Um trabalho impressionante que faz enxergar além da imagem. Seu expressionismo foi além dos moldes mundiais.
Lívio Abramo, paulista de Araraquara, trabalhou a gravura de forma expressionista, abstrata, figurativa, surrealista, sua linha continha um realismo mágico difícil de confundir com outro artista. O aprimoramento da técnica foi sua busca incessante. Lívio Abramo foi essencial para história da gravura no Brasil, ele trabalhou a gravura como arte e não como meio.
Depois da década de 50 a gravura já está bem mais estruturada, divulgada e utilizada pelos diversos artistas. Já são formadas escolas de linguagens visuais como o Concretismo e Art Pop.
Texto criado a partir de Texto do Livro A Arte Maior da Gravura – ORLANDO DASILVA.
Escrito por: Wilton Renato Pedroso - wiltao@hotmail.com
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